Queimadas no Pantanal: ameaça à biodiversidade

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André M. Pelanda  e Rodrigo Berté (*)

O Pantanal é um bioma presente em território brasileiro nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e ocorre também em algumas áreas do leste da Bolívia e norte do Paraguai, onde é conhecido como “Chaco”. Este bioma é uma das maiores planícies alagáveis do mundo, considerado pela UNESCO como Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera. Abriga centenas de espécies de peixes, aves, mamíferos, répteis e cerca de duas mil espécies de plantas identificadas, contando com espécies de animais e vegetais endêmicas, ou seja, que ocorrem somente nesta região específica do planeta terra.

Apesar da inigualável beleza natural pantaneira, este bioma vem sofrendo as consequências das ações antrópicas ao longo do tempo, que vem gerando consequências negativas para os ecossistemas locais. No Pantanal, o regime das cheias e o período de estiagem são bem definidos ao longo do ano, o período da seca ocorre, geralmente, entre os meses de maio e setembro, época que representa a ausência total de chuvas, os níveis dos rios são reduzidos e muitas lagoas formadas no período das cheias desaparecem, provocando uma mortalidade de peixes que ficam restritos a estes ambientes. Espécies de mamíferos e répteis buscam habitats próximos aos rios na busca de alimentos e dessedentação.

O período da seca no Pantanal também culmina com o período em que este bioma mais sofre com as queimadas, de acordo com dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), somente no ano de 2020, foram registrados mais de 3.000 focos de incêndio, gerando uma considerável ameaça para os organismos que compõe este bioma.

Os fatores climáticos da região neste período do ano, baixa umidade combinada com temperatura elevada, favorecem o surgimento de focos de incêndio de origem natural, porém, grande parte das queimadas são de origem criminosa e localizadas em regiões distantes de difícil acesso, dificultando o seu combate por parte das autoridades locais. Em muitos lugares, o acesso é possível somente através da utilização de embarcações.

Informações disponibilizadas por boletins meteorológicos mostram que existe a expectativa de que grandes chuvas ocorram na região somente a partir do mês de novembro, portanto, é necessária a criação de uma força-tarefa para combater as queimadas, já que as populações de muitas espécies de animais, especialmente, aqueles que apresentam uma baixa capacidade de locomoção, podem sofrer danos significativos se não forem tomadas atitudes imediatas por parte do poder público, combinadas com ações de educação ambiental que visam a sensibilização da população em relação às consequências negativas dos danos ambientais.

 (*) André M. Pelanda – Professor tutor central dos cursos de Gestão Ambiental e Saneamento Ambiental da Uninter.

(*) Rodrigo Berté – Diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades Uninter.

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