Representantes de mais de 90 empresas aguardam com otimismo participação na Gulfood



Última atualização: 16 de Janeiro de 2019 - 10:04
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São Paulo – Mais de 90 empresas brasileiras de alimentos e bebidas participarão da Gulfood, a maior feira destes segmentos no Oriente Médio, de 17 a 21 de fevereiro em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. As companhias vão expor em pavilhões organizados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), entidades setoriais ou individualmente.

Nesta terça-feira (15), a Apex promoveu uma reunião com representantes de empresas participantes no auditório da Câmara Árabe, em São Paulo, para divulgar informações e definir os espaços de cada expositor nos estandes da agência, divididos em setores de carne, frango, grãos, bebidas e alimentos em geral.

Gustavo Fernandes em apresentação da Apex

Segundo o coordenador de promoção de negócios da Apex, Gustavo Fernandes, as empresas vão à Gulfood para fazer a manutenção das vendas e ampliar os negócios na região do Golfo e Norte da África, e também na Ásia e África em geral. O Brasil participa da Gulfood há mais de dez anos.

“Nossa visão é que este mercado é importantíssimo, pois somados todos os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), eles são o quarto maior parceiro comercial do Brasil. Acho que, além desses seis mercados, a feira vai além, para África, Ásia, mercado indiano, africano, vários outros países que vão para a feira para comprar. É um dos nossos maiores projetos do setor, que só perde para a Sial Paris”, disse Fernandes. O GCC é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. A Sial Paris é uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do mundo.

Os principais produtos que serão expostos pelas empresas brasileiras são carne bovina e de frango, biscoitos, doces, frutas, açaí, massas, mel, sucos, água de coco, café e açúcar. Segundo Fernandes, apenas de cinco a dez empresas estão indo pela primeira vez. “

Este é um mercado relevantíssimo e as pessoas estão muito interessadas, brigando por um estande, se não fosse um mercado ascendente eles não estariam com essa preocupação, e isso só comprova que as empresas participam há muito tempo, fazem negócios, e têm o evento como uma plataforma de manutenção de sua posição estratégica na região, mantendo sua presença no mercado”, informou o coordenador.

A Apex selecionou dez “empresas-vitrine”, que terão destaque por venderem produtos que têm identidade brasileira, como açaí, biscoitos e água de coco. Carlos von Bulow é gerente comercial internacional da Obrigado, marca de água de coco de caixinha e uma das empresas-vitrine. Ele contou que a companhia participou da Gulfood há dois anos, mas agora está mais preparada para o mercado árabe.

“Adaptamos rótulos, embalagens, estratégia e o posicionamento certo para entrar na região”, disse. A bebida, segundo von Bulow, tem muita demanda na região do Oriente Médio, principalmente por conta do calor, e pelo fato de muitos países não comercializarem bebidas alcoólicas.

A marca Obrigado ainda não exporta para os árabes, mas tem compradores nas Américas, Ásia e Europa. “Estamos em negociação final com um distribuidor local de Dubai, e esperamos que até o fim da feira fechemos o contrato; Kuwait e Catar também estão no radar, e acredito que vamos conseguir fechar esses negócios também durante a visita”, afirmou.

Alain Wehbe, gerente de exportações da Bauducco

Outra empresa-vitrine é a Bauducco, conhecida por seus biscoitos doces e salgados, cookies e torradas. O gerente de exportações Alain Wehbe compareceu à reunião na Câmara Árabe e disse à ANBA que a companhia frequenta a Gulfood há cerca de sete anos, e exporta para todos os países árabes, exceto a Síria.

Os principais produtos vendidos na região são biscoitos wafer, cookies e torradas e, segundo Wehbe, a linha de produtos saudáveis está crescendo muito nos países árabes. Para ele, a Gulfood é um ponto de encontro com os clientes da região, onde eles se encontram e traçam o planejamento para o ano, conversam e negociam. O gerente ressaltou que a data da feira favorece o planejamento anual. “

Em 2018, vendemos em torno de US$ 3 milhões para o Oriente Médio, e esperamos ampliar esse valor em cerca de 40% este ano”, revelou. Os principais mercados internacionais da Bauducco são Estados Unidos, Mercosul e Japão.

Lançamento

Esta é a primeira vez que a Conservas Olé vai participar da Gulfood, mas desenvolveu um produto exclusivamente para ser lançado durante a feira, a goiabada cremosa.

A empresa é conhecida pelas conservas de vegetais em vidro, como milho, ervilha, seleta e azeitona, além de atomatados e doces, como figo em calda.

A diretora executiva Renata Abbas informou que a Conservas Olé exportou seu primeiro lote para o mundo árabe no ano passado, numa venda única para o Catar de três contêineres de atomatados, somando US$ 80 mil.

“Esperamos refazer os pedidos para o Catar e ampliar as vendas nos países árabes, estamos desenvolvendo contatos junto à Câmara Árabe e estou otimista que iremos fechar novos negócios”, disse. A empresa exporta para os Estados Unidos, Japão, África do Sul, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, entre outros destinos.

Queijos

Renata Abbas, diretora da Conservas Olé

A marca Tirolez ficou alguns anos sem participar da Gulfood, segundo Paulo Hegg, gerente de exportação, por estar com capacidade limitada para atender o mercado externo. A empresa de laticínios exporta principalmente para a África, Rússia, Estados Unidos e Japão e, de acordo com Hegg, quer retornar à feira de alimentos para aumentar a participação no Oriente Médio. Na Gulfood, a empresa vai expor produtos como requeijão, queijo coalho, prato, muçarela, parmesão e provolone. A Tirolez trabalha com queijos à base de leite de vaca.

“Estou torcendo para que consigamos encontrar alguns parceiros não só do Oriente Médio como do Norte da África e até da Ásia, tenho esperança de encontrar e voltar a exportar para a região pela Gulfood”, disse Hegg.

Mel

A diretora da trading Braseco, Damaris da Costa, vai à Gulfood para fazer um estudo de campo sobre o consumo de mel, para possivelmente começar a exportar mel brasileiro para o Oriente Médio.

“Eu visitei empresas produtoras de mel no Nordeste em novembro do ano passado e vi que elas têm muito potencial, são muito bem estruturadas; percebi que é um nicho que está precisando de um apoio e quis conhecer mais”, contou. A diretora deu como exemplo o fato de a Argentina, um dos maiores países exportadores de mel do mundo, comprar mel do Nordeste brasileiro, envasar e exportar como mel argentino.

“Quero saber como funciona o mercado do mel, vou levar amostras, temos vários tipos de mel, e quero saber que tipos de mel o público árabe gosta”, completou. A Arábia Saudita recentemente abriu o mercado para a compra de mel brasileiro.

Doces

A Itamaraty também terá estande de destaque como empresa-vitrine. A companhia de doces tem como principais produtos biscoitos Look wafer e canudinho, recheados em diversos sabores. A gerente de exportações Nancy Gonzalez disse que a marca já trabalha no mercado árabe há cerca de 15 anos, em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Iêmen e Líbia. Hoje, só trabalham com a Líbia e venderam aos norte-africanos cerca de US$ 400 mil em biscoitos no ano passado.

“Esperamos fazer novos negócios com a Arábia Saudita, Emirados Árabes, Iraque; esperamos conseguir fechar mais quatro ou cinco países na feira”, afirmou Gonzalez.

Marcus Pillon destacou os serviços da Câmara Árabe

A representante para exportações da Simonetto, Andréa Filippello, contou que a empresa de doces participa da Gulfood há mais de cinco anos. A Simonetto é conhecida por suas balas duras e mastigáveis, pirulitos e caramelos, e já vende para países da África Ocidental, como Angola e Guiné Equatorial, mas quer expandir para os países árabes e Oriente Médio.

“Estamos adequando alguns produtos, porque alguns corantes lá são proibidos, fizemos uma venda para o Kuwait, mas não deu certo porque eles pediram um corante mais natural, então continuamos nos adaptando, temos boas perspectivas para a feira”, disse.

Na reunião preparatória desta terça-feira, o coordenador de inteligência de mercado da Câmara Árabe, Marcus Vinicius Pillon, falou sobre os serviços oferecidos pela entidade e as vantagens de se associar. A Câmara Árabe ainda tem vagas disponíveis para empresas associadas interessadas em expor na Gulfood. Mais informações, clique aqui.

(*) Com informações da ANBA 

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