Singapore Airlines inaugura em março rota com três voos semanais para São Paulo

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Brasília – A Singapore Airlines inaugurará no próximo dia 28 de março sua primeira rota para a América a América do Sul com um voo de três frequências semanais para o Brasil, ligando a capital daquele país a São Paulo, com escala em Barcelona. Em dezembro, a companhia recebeu da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a autorização de funcionamento jurídico, o primeiro passo para que uma empresa possa operar no Brasil e nas próximas semanas deverá cumprir todos os trâmites legais que precedem a autorização para dar início à operação regular no País.

Segundo informações da Anac, após cumprir o primeiro dos requisitos legais, a Singapore Airlines deu início ao cumprimento dos passos seguintes, que são obter aprovação da Agência para seu plano de segurança e suas especificações operativas, requisitos operacionais e técnicos.

Cumprida essa etapa, a companhia receberá a autorização para explorar serviços regulares no País e poderá fazer o pedido dos voos efetivamente, que também precisam ser aprovados pela Anac. Aprovados os voos, a  empresa poderá começar a vender as passagens.

O voo será operado com uma aeronave Boeing B777-300ER, que decolará em Cingapura e fará uma escala de aproximadamente 90 minutos em Barcelona. No total, serão 24 horas no trajeto Cingapura/São Paulo e 26 horas no sentido inverso. A saída de Cingapura acontecerá a 1h30 da manhã e a aterrissagem em São Paulo está prevista para as 14h30 do mesmo dia. A linha terá três classes: primeira, executiva e econômica.

A decisão de criar um voo ligando a capital do país asiático a São Paulo faz parte da estratégia de expansão de rotas da Singapore Airlines. Ela também se insere num contexto marcado pela forte expansão das relações comerciais e diplomáticas entre os dois países. Essa tendência se reflete nos números do comércio bilateral e no crescente volume de investimentos entre o Brasil e Cingapura.

Prova disso é a chegada ao Brasil de grandes corporações cingapurianas, como a Keppel, Sembcorp Marine e o fundo soberano Temasek Holdings, e da presença crescente naquele país do Sudeste asiático das gigantes brasileiras Vale, Petrobrás e Embraer.

A decisão da Singapore Airlines de criar a rota Cingapura/São Paulo também  considerou o fato de que o Brasil sediará nos próximos anos dois dos maiores eventos do planeta: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Eleita por sucessivas vezes nos últimos dez anos como a melhor companhia aérea do mundo, a Singapore Airlines é uma empresa que prima pela sofisticação e alta qualidade dos serviços prestados aos seus usuários. Ela é considerada uma das raras empresas aéreas padrão cinco estrelas do mundo pelos critérios de avaliação da “Skytrax”.

O valor das tarifas a serem cobradas na rota Cingapura-São Paulo ainda não foram divulgados pela empresa mas, segundo uma fonte da embaixada brasileira em Cingapura, terão que ser compatíveis com aqueles praticados por companhias como a Emirates (que voa de Dubai para São Paulo) e a Qatar Airways (que faz a rota para São Paulo com escala em Doha).

Comércio bilateral

Além de facilitar o tráfego de passageiros entre países, a criação de uma rota aérea como que a ligará Cingapura a São Paulo também contribuirá para ampliar o contato entre empresários dos dois países com reflexos no intercâmbio comercial bilateral.

Nos últimos anos, Cingapura vem se tornando um dos mais importantes parceiros comerciais do Brasil no Sudeste asiático. Em 2008, as trocas entre os dois países atingiram a cifra máxima já registrada na história do intercâmbio bilateral, num total de US$ 3,852 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 2,107 bilhões e vendas de Cingapura no montante de US$ 1,745 bilhão.

Em 2009, o comércio bilateral caiu praticamente à metade –comparativamente com 2008- e em 2010 voltou a crescer: as exportações brasileiras totalizaram US$ 1,309 bilhão, enquanto Cingapura exportou para o Brasil mercadorias no valor de US$ 845 milhões.

A pauta exportadora brasileira para Cingapura é marcada por uma forte concentração nos produtos primários. Apenas três desses itens respondem quase 67% de todo o volume exportado para o país asiático: petróleo (vendas de US$ 528 milhões e participação de 40,39% no total exportado), ferro nióbio (US$ 232 milhões, 17,73%), pedaços e miudezas de frangos congelados (US$ 115 milhões, 8,78% do total exportado).

Enquanto isso, as exportações de Cingapura compõem uma pauta mais abrangente e desconcentrada e envolvem, principalmente, produtos de maior valor agregado: óleo diesel (US$ 111 milhões), querosene de aviação (US$ 83 milhões), circuitos integrados (US$ 54 milhões) e cartuchos de tinta (US$ 4l7 milhões), entre outros.

Concorrência acirrada

A cerca de dois meses do voo inaugural para o Brasil, a Singapore Airlines terá que se preparar para enfrentar duas concorrentes igualmente poderosas e também reconhecidas internacionalmente pelo elevado padrão de seus serviços, a Qatar Airways e a Emirates. E antes mesmo do anúncio da data de realização do primeiro voo Cingapura-São Paulo, a empresa do Qatar revela que estuda ampliar seus voos para o Brasil.

Segundo o presidente da empresa, Abkar Al Baker, atualmente a taxa de ocupação das aeronaves que operam nessa rota é de 74%:  ”quando chegarmos a 85%, meta da qual estamos bem próximos, será o momento de aumentar o número de frequências”, afirmou Al Baker. O voo da Qatar segue de São Paulo para Buenos Aires, o que garante à empresa um número adicional importante de passageiros argentinos.

O executivo da Qatar Airwys revela que a empresa pretende investir principalmente nos mercados de países emergentes, como os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e que as atenções da companhia se voltam não apenas para os passageiros mas também para o promissor mercado brasileiro de cargas.

Al Baker destaca ainda que a Qatar Airways tem crescido principalmente por conta de suas conexões rápidas para outros países do Oriente Médio e do Extremo Oriente. Ele sublinha que “raramente os passageiros tem Doha como destino final. Assim, a empresa organizou-se de uma forma que garanta que os clientes esperem menos tempo no aeroporto do que nas conexões de seus principais concorrentes”.

Segundo o diplomata da embaixada brasileira em Cingapura, “a Singapore Airlines enfrentará uma concorrência acirrada nessa rota para o Brasil. A Emirates e a Qatar Airways já estão operando na rota São Paulo  há alguns meses com voos rápidos e serviços altamente sofisticados. A Emirates voa via Abu Dhabi, com frequências quase diárias para o Brasil e a Qatar opera um voo diário para São Paulo, com extensão até Buenos Aires. São duas concorrentes de peso e para enfrentá-las, a companhia de Singapura terá que oferecer ao passageiro não apenas o mesmo padrão de qualidade mas algum tipo de atrativo extra e principalmente realizar boas promoções capazes de atrair novos clientes”.

De acordo com o diplomata, “quem já viajou pela Classe Executiva da Qatar Airways sabe que se trata de um verdadeiro hotel de ‘Seis Estrelas’ no ar e a Singapore Airlines, tradicionalmente uma companhia que prima pela excelência de seus serviços, terá que oferecer o mesmo padrão para enfrentar a fortíssima concorrência”.

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