Soterrados há 19 dias, mineiros chilenos não sabem que resgate pode levar até quatro meses

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Agência Brasil

Brasília – Os 33 trabalhadores chilenos soterrados há 19 dias em uma mina, próxima à cidade de San José, no Chile, desconhecem que o resgate deles pode durar até quatro meses. Mas os responsáveis pelas operações afirmam que eles estão bem de saúde. O chefe das operações, Andres Sougarret, disse que o tempo de duração do resgate depende de quanto vai durar a ação de abertura de um túnel com largura suficiente para a retirada segura dos mineiros. As informações são da agência BBC Brasil.

O único canal de comunicação com os trabalhadores na mina de ouro e cobre é um duto de cerca de 15 centímetros de diâmetro. Ontem (23) foram enviadas por este duto cápsulas com suprimentos e remédios.

O duto está sendo usado por equipes de resgate para enviar suprimentos aos mineiros em pequenas cápsulas de plástico azul, apelidadas de palomas (pombas, em espanhol). Além de água, estão sendo enviadas cápsulas com comida – em forma de uma solução altamente calórica de glicose –, além de medicamentos para diminuir acidez estomacal.

O ministro de Minas do Chile, Laurence Golborne, disse que houve um primeiro contato por telefone com os mineiros. Segundo Golborne, durante o contato, foi possível saber que os mineiros têm “muita fome”, mas que estão bem de saúde. Segundo ele, os trabalhadores disseram que estão sobrevivendo com uma dieta racionada de duas colheres de atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas.

De acordo com Sougarret, os trabalhadores soterrados deverão receber cartas e bilhetes escritos por suas famílias, que foram orientadas a manter um tom otimista. Os mineiros estão presos desde o dia 5 de agosto, quando o principal acesso ao túnel ruiu. Eles estão a 700 metros de profundidade, em um abrigo de 50 metros quadrados, que contém dois bancos de madeira compridos.

Tanques de água, além de água contida em máquinas de perfuração e canais de ventilação ajudaram os homens a sobreviver, mas eles tinham pouca comida. Uma perfuradora especial está sendo enviada para a mina, localizada perto da cidade de Copiapó, no norte do país, para tentar abrir uma passagem que permita a saída dos mineiros.

Desde a noite do último domingo (22), engenheiros tentam abrir mais linhas de comunicação com os mineiros, além de reforçar o duto de 15 centímetros de diâmetro já aberto, para evitar que a passagem seja obstruída pela queda de rochas.

Uma das maiores preocupações agora é com a saúde mental dos confinados. Uma equipe de médicos e psicólogos chegou ao local para ajudar a monitorar as condições físicas e mentais dos trabalhadores durante o longo período de espera pelo resgate.

“Precisamos estabelecer com urgência qual o estado psicológico em que eles se encontram. Eles precisam entender o que sabemos aqui na superfície, que levará várias semanas até eles verem a luz do sol”, disse o ministro da Saúde, Jaime Manalich. “Deve-se estabelecer uma liderança [entre eles] e uma rede de apoio para prepará-los para o que está pela frente, o que não é pouco”, acrescentou.

Ontem (23), o presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou que paralelamente às operações de resgate serão intensificadas as investigações para apurar as responsabilidades sobre o acidente. Piñera assegurou que os responsáveis serão punidos. Em decorrência do soterramento dos mineiros, o governo anunciou uma série de mudanças na legislação trabalhista chilena.

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