Tecnologias emergentes prometem precisão para gerentes de comércio exterior

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Mary Breede (*)

 O novo acordo Mercosul-União Europeia representa una nova etapa para o mercado brasileiro. Diante de uma nova realidade, o uso de tecnologias inovadoras assume um papel ainda mais relevante para o comercio exterior na região. Mary Breede, Gerente Global de Customer Insight da Thomson Reuters, apresenta suas reflexões sobre o tema.

À medida que o ritmo do comércio internacional se acelera, também aumenta o custo de cumprir as regulações relacionados ao comércio, uma despesa que aumentou para cerca de US$ 1,8 bilhão para corporações multinacionais em 2018. É claro, como qualquer gerente de cadeia de suprimentos dirá, a única coisa mais cara do que fazer certo é fazer errado.

Do lado positivo, as tecnologias emergentes estão simplificando o gerenciamento de negócios, fornecendo informações críticas, insights e melhorias operacionais para empresas que aproveitam essa vantagem competitiva.

As equipes que gerenciam o movimento de mercadorias para empresas precisam dessa ajuda enquanto navegam pela incerteza política, complexidade operacional e mudanças regulatórias sem precedentes que aumentam o potencial de erros que podem resultar em danos financeiros e à reputação.

O comércio internacional de US$ 10 bilhões em flores cortadas exemplifica a complexidade de comprar e vender além das fronteiras quando a pontualidade é fundamental para o sucesso. Para que uma única remessa de flores passe da fazenda para o cliente, pode haver 30 organizações envolvidas na certificação, mais de 200 comunicações, 36 documentos originais, 240 cópias e 27 entregas. Todo o processo pode levar um mês e qualquer atraso pode ser catastrófico.

Tecnologias que incluem inteligência artificial, aprendizado de máquina e blockchain estão tornando mais fácil para as empresas navegar nesses requisitos, evitar erros e armadilhas, proteger dados e documentos e automatizar operações para rotineiramente “fazer as coisas da maneira certa”.

A aplicação da inteligência artificial (IA) pode melhorar a eficiência da cadeia de suprimentos e reduzir custos e riscos ao reduzir a necessidade de grandes equipes de especialistas para gerenciar a análise; extrair mais valor do gerenciamento de dados não estruturados; gerenciar classificação de produtos, gerenciamento de pedidos e outras tarefas; e prever a demanda do cliente e possíveis interrupções na cadeia de fornecimento com base na análise de dados históricos.

 Enquanto a Inteligencia Artificial converte informação em conhecimento, o aprendizado de máquina transforma o conhecimento em lições que serão aplicadas no futuro. Juntos, eles podem fortalecer as operações de negócios das empresas de várias maneiras, como detectar a fraude mais rapidamente identificando transações e partes suspeitas a tempo para que as partes interessadas e os reguladores entrem em ação; qprender com os erros e fracassos e assegurar-se de que essa sabedoria adquirida com tanto esforço informe a próxima iteração de metodologias operacionais; e tomar decisões com base em dados baseados em análises preditivas que veem o que está chegando.

O Blockchain oferece um sistema imutável que distribui o gerenciamento de registros e a segurança por meio de uma rede entre pares (peer-to-peer). Para a gestão do comércio internacional, isso proporciona valor para automatizar o cadastro de transações e ativos; reduzir os encargos administrativos; facilitar a criação de documentos autenticados e o fluxo de dados; e perrmitir que todas as partes interessadas (remetentes, operadoras, fornecedores) interajam com confiança e transparência, pois todos podem ver a atualização de cada arquivo em tempo real.

Naturalmente, a gestão do comércio internacional é mais do que a tecnologia da informação. As soluções de TI são um elemento crítico, mas devem aumentar as melhores práticas e controles de ponta. A tecnologia nem sempre leva, mas pode iluminar o caminho.

Quando se trata de juntar as peças para estabelecer uma plataforma unificada de gerenciamento de comércio internacional, três proposições de valor sobrepostas estão surgindo. São facetas semelhantes da mesma promessa: execução tática precisa em meio à aceleração. A conformidade, o conteúdo e a conectividade.

O perfil de conformidade específico de uma empresa é ditado por tudo, desde a indústria e a linha de negócios até a geografia. As empresas precisam de mais do que apenas aplicativos. Eles precisam de todos os elementos necessários para cumprir todas as normas e regulamentos relevantes em cada país em que operam. Em termos de conteúdo, desde a fabricação até a liquidação, os relatórios de cálculo e regulatórios são afetados pela constante mudança de tarifas e regulamentações. Uma plataforma de negociação internacional deve ser atualizada continuamente com as informações relevantes mais recentes. E, em relação à conectividade, uma plataforma de gestão de comércio internacional reúne sistemas e partes interessadas, permitindo-lhes participar e interagir de forma personalizada. Não há uma solução única para todos.

Cada organização se movimenta em seu próprio ritmo, mas as equipes de comércio exterior das empresas precisam navegar em um ambiente regulatório complexo e caprichoso, evitar o trabalho duplicado, a ineficiência e o erro humano de uma forma que obtenha o valor ideal da adoção de tecnologias emergentes.

Este artigo resume o novo relatório da Thomson Reuters “O futuro da tecnologia de comercio exterior“.

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