Thomson Reuters: China pode ocupar vazio criado pela saída dos EUA da Parceria Transpacífico

0

Da Redação

Brasília –  A conclusão das negociações do tratado “Parceria Econômica Regional Abrangente” (Regional Comprehensive Economic Partnership – RCEP, em inglês), com a eliminação das barreiras tarifárias e não tarifárias elevaria o Produto Interno Bruto (PIB) da região Ásia-Pacífico em 2,1% e o do mundo em 1,4%. Para efeito de comparação, a conclusão da Parceria  Transpacífico (Trans Pacific Partnership – TPP) elevaria o PIB da aregião  Ásia-Pacífico e do mundo em 1,2% e 0,6%, respectivamente.

As informações foram prestadas ao Comexdobrasil.com por Marcos Piacitelli, especialista em Acordos Internacionais da Thomson Reuters no Brasil, ao analisar a decisão anunciada pelo presidente Donald Trump de retirar os Estados Unidos da Parceria Transpacífico e a possibilidade de a China vir a ocupar os espaços criados por essa decisão.

Marcos Piacitelli - Thomson Reuters
Marcos Piacitelli – Thomson Reuters

Segundo Marcos Piacitelli, “a Parceria Transpacífico, seguramente foi o acordo mais expressivo já negociado no mundo. Isso se deve ao fato de que englobava doze países, que juntos somavam aproximadamente 790 milhões de consumidores e cerca de 40% do PIB mundial, ou seja, quase US$ 50 trilhões. Dos doze países que integravam o TPP, dois estavam localizados na Oceania, cinco nas Américas e outros cinco na Ásia. A saída dos EUA deixou uma fenda aberta para outros países entrarem nas negociações e concluírem o acordo com os outros onze países. Nesse sentido, a China, bem como qualquer outro país banhado pelas águas do Oceano Pacífico, são passíveis de serem convidados a participar do acordo. No entanto, não houve nenhuma reunião formal entre as partes para decidir o futuro das negociações”.

O especialista da Thomson Reuters ressalta que “a China tem uma presença muito expressiva no continente asiático. Uma prova disso é que, em conjunto com as economias do Sudeste asiático e outras economias regionais, incluindo a Austrália e Nova Zelândia, foi lançada formalmente em  novembro de 2012 a negociação de um tratato chamado “Parceria Econômica Regional Abrangente”, o RCEP. Trata-se de um acordo conduzido com o objetivo de proporcionar benefícios econômicos aos países da Ásia e do Pacífico e que conta com a participação de países como  Índia, Japão, Coreia do Sul, China, Austrália, Nova Zelândia e outros dez países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Vietnã, Laos, Mianmar e Camboja). O RCEP abrange quase metade da população mundial em 2013, a população desses países era de (3,455 bilhões de pessoas). Em 2013, o valor bruto da produção atingiu a cifra de US$ 21 trilhões e as exportações desses países foram superiores a US$ 5 trilhões, representando cerca de 30% da economia e exportações totais.”.

Na opinião de Marcos Piacitelli, “esse acordo será equivalente à Parceria Transpacífico, porém superior em termos de efeito econômico. De acordo com estimativas do governo chinês, após a conclusão do RCEP, a eliminação das barreiras tarifárias e não tarifárias elevaria o PIB da região Ásia-Pacífico em 2,1% e o do mundo em 1,4%”.

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta