Trading de proteína animal consolida marca entre árabes após fusão entre empresas brasileira e neozelandesa

0

São Paulo – A Kit International é uma trading de proteína animal criada em 2011 pelo empresário brasileiro Frederico Kaefer e a Garra é uma trading neozelandesa fundada pelo egípcio Ali Mossalem há 26 anos. Há dois anos, as duas empresas fizeram uma joint venture e passaram a atuar juntas, ampliando sua participação global no comércio de carne bovina, de frango, cordeiro e suína. 

Na semana passada, foi anunciado o novo nome da fusão entre as duas companhias, que agora atendem por Garra International. A empresa pretende quintuplicar seu faturamento em dez anos, de US$ 200 milhões para US$ 1 bilhão.

Kaefer é o CEO da Garra International. Ele contou à ANBA que desde o início a companhia atende o mercado árabe e que este é seu maior foco. Até a fusão, ele disse que a Kit vendia apenas carne bovina e de frango, e com a Garra passou a comercializar também a carne de cordeiro, muito consumida pelos árabes. 

“As coisas se somaram, porque nós já tínhamos uma operação estruturada e um escritório nos Emirados Árabes, e o Ali tinha essa estrutura no Egito, então nos complementamos”, disse Kaefer.

A Garra International é associada à Câmara de Comércio Árabe Brasileira e trabalha países árabes como Egito, Emirados Árabes e Arábia Saudita, seus principais mercados, e também Jordânia, Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar, Omã, Palestina, Iêmen e Argélia. “Eu já visitei quase todos os países e vou todos os anos para feiras locais e para a Gulfood, só não fui este ano por causa da pandemia, mas vamos no ano que vem”, disse. A Gulfood é a maior feira de alimentos e bebidas do Oriente Médio.

A nova Garra movimenta hoje 120 mil toneladas anuais de proteína animal, vendidas a cerca de 500 clientes em mais de 60 países. A trading trabalha com diversos frigoríficos, desde os maiores até os médios e pequenos. Do Brasil, sai a carne bovina e de frango em maior quantidade, mas a companhia também compra de outros produtores como Uruguai, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, entre outros.

Segundo Kaefer, os árabes querem facilidade na entrega, na nacionalização do produto e nos termos de pagamento. “O mercado árabe é muito exigente em termos de qualidade, tempo de entrega e preço. É exigente em todos os sentidos, e um mercado muito forte também em relacionamento. Nós aprendemos muito com esse mercado que é fiel, quando você faz um trabalho bem feito, estreita relacionamentos, a confiança para eles é muito importante, construímos fortes pilares com eles e vamos usar toda essa experiência para buscar os novos desafios que vêm pela frente”, disse.

O empresário afirmou que a trading se diferencia por ser uma facilitadora nas duas pontas do negócio, tanto para os frigoríficos como para os clientes, distribuidores e processadores de alimentos. “Temos presença local nos principais mercados, em mais de dez países além de presença nos principais polos produtivos, estrutura de logística muito forte, prestamos serviço de inteligência de mercado, oferecemos soluções financeiras customizadas e facilitamos pagamentos. Toda essa estrutura, aliada a essa expertise, permite que os clientes foquem no seu principal negócio”, disse.

A Garra vende para clientes finais, pequenos distribuidores, redes de supermercado, fábricas de processamento e redes de food service. A carne de frango representa 40% dos negócios da trading. A carne bovina, 30%, a de cordeiro, 20% e a suína, 10%, aproximadamente. “Os nossos produtores halal não têm outra produção, não têm suínos, então não há risco de contaminação”, garantiu Kaefer.

Ele explicou que depois da fusão foram estabelecidas gerências por proteína na empresa, além de toda a estrutura comercial por território, “para garantir um crescimento sustentável e que a gente continue fazendo um trabalho bem feito”, disse.

Após diversas análises e pesquisas ao longo dos dois anos de fusão, eles decidiram consolidar uma única marca, com uma única identidade visual, que foi apresentada ao público no dia 12 de julho.

Garra significa ‘pequeno oásis’ em árabe, e para o público asiático também tem esse significado, enquanto na América Latina, significa força, segundo Kaefer. “Somado com os 26 anos de mercado da empresa, foi unânime a decisão de seguir com esse nome”, contou. Ali Mossalem agora é membro do conselho de Administração da empresa.

(*) Com informações da ANBA

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta