Três produtos primários respondem por 76% das exportações do Brasil para China

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Brasília – O Brasil é cada vez mais um fornecedor de produtos primários para a China e apenas três desses produtos  (minério de ferro, soja e petróleo) foram responsáveis por 76,62% de todo o volume exportado para aquele país entre os meses de Janeiro e Novembro, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Itens de maior valor agregado aparecem apenas perifericamente na pauta brasileira de exportação para os chineses. Em contrapartida, as exportações chinesas para o Brasil concentraram-se principalmente em produtos industrializados, o que deverá resultar, no futuro próximo numa mudança profunda nos números atuais do intercâmbio comercial entre os dois países..

Nos onze meses de 2010, o comércio entre o Brasil e a China totalizou US$ 51,5 bilhões e proporcionou ao país um saldo de mais de US$ 4,7 bilhões. A expectativa é de que ao final do ano o Brasil deverá conquistar um superávit maior que os US$ 5 bilhões alcançados nas transações com a China em 2009.

No MDIC é crescente a preocupação com o desequilíbrio atualmente existente nas pautas exportadoras brasileira e chinesa. É verdade que a participação dos produtos manufaturados no volume global exportado pelo Brasil segue impressionante curva descendente, tendo passado de um patamar de 55,1% das exportações realizadas em 2005 para 39,5% este ano. Queda mais suave é registrada também entre os semimanufaturados, que representavam 14,2% há cinco anos e hoje respondem por 13,7% das vendas externas do País. Essa tendência de queda na participação dos produtos industrializados é mais evidente no caso da China do que em qualquer outro grande parceiro comercial do Brasil.

Na opinião de Welber Barral (secretário de Comércio Exterior do MDIC), o cenário não é de todo negativo pelo fato de que as exportações brasileiras de manufaturados e semimanufaturados ainda é maior do que a de produtos básicos. Na opinião dele, o grande desafio do Brasil não é simplesmente vender mais manufaturados: “a questão principal a se colocar é como exportar manufaturados de maior valor agregado, de alta tecnologia incorporada, como aviões, por exemplo”.

Superávit em risco

Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) é pouco provável que o Brasil continue acumulando saldos positivos no comércio com a China e o motivo é simples: a partir deste ano as exportações chinesas para o Brasil cresceram em alta velocidade: 62,05%, enquanto as vendas brasileiras para a China aumentaram num percentual importante mas inferior de  41,61%. Mantido esse descompasso é bem provável que já no ano de 2011 a China venha a tornar-se superavitária nas relações comerciais com o Brasil.

Os dados do MDIC revelam aspectos interessantes. Este ano a China consolidou-se ainda mais como o maior mercado para os produtos brasileiros no exterior. De todas as exportações brasileiras entre janeiro e novembro, 15,56% tiveram a China como destino final. Ano passado, a China comprou 13,73% de tudo o que foi vendido pelo Brasil ao exterior. Em contrapartida, os chineses forneceram este ano 14,10% das importações totais do Brasil, contra 12,46% ano passado.

Mas o crescimento vertiginoso das exportações chinesas para o Brasil não é o único motivo de preocupação quando se olha para o futuro do intercâmbio comercial sino-brasileiro. Igualmente preocupante é o fato de que apenas três produtos são responsáveis por nada menos que 76,62% de todo o volume exportado pelo Brasil para a China. São eles o minério de ferro (exportações no montante de US$ 10,5 bilhões, e uma participação de 37,46% no total exportado), soja em grãos (vendas no total de US$ 7,1 bilhões e 25,33% do total vendido aos chineses) e petróleo em bruto (exportações no valor de US$ 3,9 bilhões e uma participação de 13,83% no total exportado pelo Brasil aos chineses).

Em contrapartida, a pauta das exportações chinesas é muito mais variada e envolve participação muito mais expressiva de produtos com alto valor agregado. Entre eles figuram componentes para televisores, dispositivos de cristais líquidos, componentes para aparelhos telefônicos e telas para microcomputadores, entre outros.

E enquanto a China já é de longe o maior parceiro comercial do Brasil, aos poucos o Brasil vai conquistando posições importantes no ranking dos maiores parceiros do país asiático em todo o mundo. Até 2007 o Brasil ocupava uma modesta décima-nona posição entre os países que mais comercializavam com a China e em julho passado o país entrou para a relação dos dez maiores parceiros dos chineses, ultrapassando a Rússia.

Mês passado, o Brasil ultrapassou a Índia e tornou-se o nono parceiro da China em todo o mundo. A expectativa é de que já em 2011 o Brasil poderá ultrapassar a Malásia e figurar na oitava posição do ranking dos principais parceiros da segunda maior potência comercial do planeta.

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