Turismo de Natureza: O que aprendemos com a pandemia

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Marion Silva (*)

Saudade de liberdade… Acho que esta frase representa o sentimento da maioria das pessoas neste momento. Vontade de sair de casa, conhecer um novo destino ou ir àquele lugar preferido na natureza. Estamos todos ansiosos por liberdade.

O retorno à normalidade ainda é uma incógnita, mas é provável que muita coisa mude nos serviços de turismo quanto este momento chegar: novas formas de atendimento, rigorosos protocolos de higiene e controle de números de visitantes, para evitar aglomerações. E no exato momento em que estamos lendo este artigo, toda esta adaptação está sendo preparada, com muito cuidado, pelos anfitriões, empresários e gestores de áreas protegidas.

Sustentabilidade. Não resta dúvida de que o mundo inteiro vai ampliar os esforços para que cada vez mais tenhamos sustentabilidade em todas as nossas ações, inclusive no turismo. Se isso já estava acontecendo antes da pandemia, imagine depois que ela passar. Portanto, formas de locomoção menos poluentes; a preferência pelo consumo de produtos e serviços locais, com menor necessidade de transporte e deslocamentos; o uso de energias renováveis, como solar e eólica; e a redução no uso de plásticos são alguns exemplos que farão parte do pacote de adaptações que vem por aí.

E não podemos esquecer que o visitante também deverá adequar a sua conduta, respeitando as novas regras e, principalmente, protegendo e valorizando cada vez mais as áreas naturais.

As inúmeras lives, webinars e demais conversas virtuais nos últimos meses – com a participação de muitos pesquisadores e especialistas – indicam que a volta do turismo será aos poucos, em locais mais próximos, em roteiros mais baratos e sem aglomeração de pessoas.

Trilhas, cachoeiras, paisagens incríveis e animais emblemáticos e encantadores serão cada vez mais procurados, bem como experiências simples em ambiente rural, como uma boa comida típica. E temos tudo isso por perto, nas diversas áreas naturais protegidas em todo o Brasil. São parques, reservas, áreas de proteção e outras que cobrem 1,5 milhão de quilômetros quadrados, cerca de 17% do território nacional.

Entre o litoral sul do estado de São Paulo, litoral do Paraná e norte de Santa Catarina, por exemplo, está a Grande Reserva Mata Atlântica, um presente de liberdade para todos nós!

A Grande Reserva Mata Atlântica é a região que agrega a maior porção contínua de Floresta Atlântica do Brasil, formada por um conjunto de áreas protegidas. É abraçada por um movimento com liderança compartilhada que aceita o apoio de organizações ou cidadãos interessados em promover a convivência harmônica entre a sociedade e o meio natural, que fortaleça negócios sustentáveis e traga desenvolvimento econômico e social, aliado à conservação da natureza.

Seus visitantes, por certo, estão ansiosos para descer a estrada da Graciosa, subir o Pico Paraná, passear de barco pela Baía de Guaratuba ou da Babitonga, explorar as cavernas do PETAR – Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira. Em um domingo de sol, almoçar nos restaurantes de Antonina e Morretes, pedalar pelas ciclo rotas de Piraquara, visitar a praia de Superagui e a Ilha do Cardoso ou tomar um banho de rio na Reserva Natural Salto Morato!

Seja na Grande Reserva Mata Atlântica ou em outras áreas naturais, todas emolduram cenários belíssimos e uma rica biodiversidade que dependem do olhar e da dedicação da sociedade para a sua conservação e proteção. A natureza bem cuidada é sinônimo de bem-estar social, desenvolvimento sustentável e garantia de direitos para populações locais. Além, é claro, de nos oferecer aquela maravilhosa sensação de liberdade!

(*) Marion Silva é coordenadora de Áreas Protegidas da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

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