Turismo deve ser tratado como prioridade e produto de exportação, diz presidente da ABIH/SP



Última atualização: 18 de Junho de 2018 - 11:15
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Da Redação

Brasília –  O governo brasileiro precisa tratar o turismo como fator de desenvolvimento econômico, a exemplo do que fazem países como a França, Espanha, Estados Unidos, entre outros, e com isso terá receita suficiente para aplicar em áreas como as de segurança, educação e saúde. O turismo deve ser tratado como produto de exportação e como prioridade política para o desenvolvimento econômico do país. A afirmação foi feita por Bruno Omori, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (ABIH/SP) em entrevista exclusiva ao portal Comexdobrasil.com

Na avaliação crítica e bastante lúcida de Bruno Omori, “atualmente o turismo ocupa um dos últimos lugares numa escala de temas prioritários da economia brasileira e é preciso mudar essa situação. O Ministério do Turismo está sob o comando do ministro Vinicius Lummertz, um profissional sério, competente, mas o Ministério não dispõe de verbas necessárias para implementar políticas e ações de atração dos turistas estrangeiros, a exemplo do que acontece com os grandes players do turismo internacional”.

Segundo o presidente da ABIH/SP, são vários os obstáculos que impedem que o Brasil monetize o fato de ser o primeiro país no ranking de atrações turísticas naturais de todo o mundo e, ao mesmo tempo ocupar um modestíssimo 45º. lugar  em termos de turismo receptivo.

Na visão de Bruno Omori, “temos barreiras no que diz respeito ao processo de emissão de vistos para os turistas estrangeiros, altos impostos incidindo sobre as receitas financeiras geradas pelo turismo e falta de recursos suficientes para a realização das campanhas promocionais do turismo brasileiro no exterior”.

O executivo ressalta que países como a França, que em 2017 recebeu cerca de 83 milhões de turistas do mundo inteiro, e a Espanha, destino de mais de 60 milhões de turistas internacionais, colocaram à disposição dos responsáveis pelas ações promocionais no exterior verbas no valor de € 500 milhões, o Brasil contou com apenas R$ 15 milhões para essas atividades.

Para dar uma dimensão da exiguidade dos recursos destinados pelo governo brasileiro à promoção das atrações turísticas nacionais no exterior, destaca Bruno Omori, a Argentina destinou US$ 150 milhões para essas atividades e, mais relevante ainda, o Peru disponibilizou US$ 250 milhões este ano para ações voltadas a atrair turistas estrangeiros para o país. Com isso, este ano a Argentina deverá receber um número de turistas estrangeiros superior aos 6,5 milhões que vieram ao Brasil no ano passado.

Um dado citado por Bruno Omori revela o tempo perdido pelo Brasil na disputa com outros países pelos turistas estrangeiros: em 1994, Brasil e México recebiam praticamente o mesmo número de visitantes internacionais, com cerca de 4 milhões de turistas/ano. Treze anos depois, o Brasil fechou 2017 com um total de 6,5 milhões de turistas enquanto o México recebeu cerca de 35 milhões.

O presidente da ABIH/SP destaca a importância do trabalho que vem sendo realizado pelo ministro Lummertz visando transformar a Embratur (Instituto Brasileiro do Turismo) numa instituição como a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e destaca que “quando isso acontecer, o país poderá contar com recursos semelhates àqueles reservados pelos países vizinhos para promover seus principais destinos turísticos no exterior”.

Bruno Omori sublinha que “o tempo em que o turismo era tratado em bases amadoras ficou no passado e hoje o turismo é tratado com grande profissionalismo tanto pelos países que são os maiores receptores do mundo como por países que disputam espaço nesse concorrido mercado”.

E ele destaca que o Brasil tem muito mais que suas admiráveis belezas naturais para aumentar significativamente o número de visitantes que recebe anualmente. Bruno Omori fala especificamente sobre o Estado de São Paulo e em especial de sua capital: “a cidade de São Paulo tem a maior frota de helicópteros entre as grandes metrópoles do mundo. Tem também uma gastronomia variada e sofisticada, vida cultural e noturna intensas. Temos tudo que o turismo exige, principalmente o turismo de luxo. Ano passado as empresas associadas à ABIH/SP tiveram um faturamento de R$ 7,4 bilhões em diárias e de R$ 1,4 bilhões com as vendas de alimentos e bebidas. São Paulo é o maior polo emissor e receptor de turismo no Brasil e recebe 15 milhões de visitantes/ano, entre brasileiros e estrangeiros. São visitantes atraídos por grandes eventos como o Salão do Automóvel, a Feira Internacional da Mecânica, a Equipotel e muitos outros”.

Bruno Omari cita sempre os grandes players do turismo internacional para lembrar que o Brasil tem plenas para crescer e ocupar espaços mais relevantes nesse mercado: “o turismo tem tudo para ser o grande diferencial da economia brasileira. A França recebe 83 milhões de turistas/ano e por essa razão é considerada a primeira do PIB mundial no setor. Logo atrás vem a Espanha. Países como os Estados Unidos e o Japão, a primeira e a terceira economias do mundo, reconhecem a importância de se valorizar o turismo. Aqui no Brasil precisamos de uma campanha maciça para tornar o turismo uma prioridade econômica nacional”.

Na  visão do presidente da ABIH/SP, “o turismo é a grande alternativa para o Brasil sair da crise. Mas para isso é preciso trabalhar com seriedade cada um dos nossos destinos indutores. O turismo tem forte potencial para ajudar a reverter a balança econômica do Brasil”.

De fato, segundo dados da Organização Mundial do Turismo (OMT), em 2017 o Brasil ficou entre os 25 países de todo o mundo que mais gastaram com o turismo. De acordo com a OMT, através do turismo emissor, o país foi responsável por injetar US$ 19 bilhões na economia mundial no ano passado, US$ 5 bilhões a mais que em 2016. Esse aumento colocou o Brasil na 16ª. posição no ranking  global, acima de países como Japão, Suiça Índia e Emirados Árabes, entre outros.

Enquanto isso, os turistas estrangeiros gastaram pouco mais de US$ 5,8 bilhões no Brasil em 2017. A balança comercial do turismo do Brasil fechou o ano passado com um deficit de US$ 13,2 bilhões.

A ABIH/SP

Fundada  em 1949, a ABIH/SP representa institucionalmente todo o mercado hoteleiro no Conselho Estadual de Turismo do Estado de São Paulo, no Conselho Estadual de Ecoturismo, no Conselho Estadual de Artesanato Paulista e no Plano de Desenvolvimento do Turismo do Estado de São Paulo.

O mercado hoteleiro do Estado de São Paulo emprega mais de 105 mil profissionais diretos, hospeda diariamente 142 mil pessoas, gerando a cada ano mais de 51,5 milhões de diárias, que, ano passado, proporcionaram à economia do Estado um receita superior a R$ 7,4 bilhões em diárias e R$ 1,5 bilhão em alimentação e bebidas, desconsiderados os eventos e convenções que ocorrem nos hotéis. O Estado de São Paulo é o maior emissor e receptor de turistas do Brasil.

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