Um alerta sobre os riscos das pragas que vêm de fora



Última atualização: 21 de Fevereiro de 2020 - 17:29
0
599

Edivaldo Bassani  (*)

O recente acordo do Brasil com a Índia acende um próspero sinal verde para o Comércio Exterior brasileiro, que passa a ter acesso privilegiado para negociar com a 2° maior população do mundo.

Ao mesmo tempo, aciona um sinal amarelo, de alerta  para as questões fitossanitárias.

Por determinação legal, nas zonas de fronteiras, como portos e aeroportos, toda madeira bruta utilizada, como embalagens, amarrações, suportes e calços de cargas, deve ser monitorada, fiscalizada e, sempre que necessário, submetida a tratamento térmico (HT).

Regido pela Instrução Normativa nº 32, de 2015, egressa da  Norma Internacional de Medida Fitossanitária – NIMF n.º 15, e a cargo do  Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, o conjunto de medidas tem como finalidade  combater a entrada e a proliferação de pragas na importação e exportação de mercadorias.

A questão não é trivial.  Um  estudo realizado por auditores fiscais agropecuários  no porto de Santos, o maior da América Latina, apontou justamente a Índia como o   País de procedência da imensa maioria de pragas  interceptadas  em embalagens de madeira, nas cargas  ali movimentadas.

Outro dado relevante do levantamento, realizado de  2015 a 2017, e publicado na Revista Agrícola, é que 70% das  pragas eram da espécie quarentenárias, ou seja, inexistente no país  e de alto  potencial de  causar prejuízos econômicos e socioambiental.

No Brasil e no mundo, exemplos não faltam. A praga “ferrugem asiática da soja”, por exemplo,  desde que se instalou por aqui, em 2001,  prejudicou a nossa agroeconomia em US$ 20,8 bilhões.

Somente no Estado de São Paulo, entre 2010 e 2014, o prejuízo causado pelo ataque do percevejo-bronzeado  aos plantios de eucalipto, gênero arbóreo mais plantado no País, responsável pelo abastecimento de indústrias de papel e celulose, energia, movelaria, entre outros, chega a R$ 280 milhões.

A lista da  Embrapa e do MAPA  enumera cerca de 700 pragas, e, entre estas, prioriza mais de vinte, dentre as da espécie quarentenárias ausentes, como as de maior risco para a agropecuária brasileira e ao Meio Ambiente.

Uma delas, praga florestal conhecida como  besouro chinês, foi identificado  pela fiscalização do  terminal de carga do aeroporto internacional de  Viracopos, em Campinas, por onde passa quase 40% de toda carga aérea importada do país.

Na ocasião, meados de 2018,  a  madeira que embalava a carga,  procedente de voo originário do aeroporto de Amsterdã, na Holanda, foi submetida à tratamento, e, em seguida, destruída.

Pragas sempre existiram e estão em evolução. No  contexto de mundo globalizado, todavia, o assunto  precisa galgar  nova dimensão, sobretudo no   Brasil,  que, na esfera internacional, busca ainda alcançar  protagonismo  condizente com o potencial da sua economia.

(*) Edivaldo Vicente Bassani é empresário e Consultor de Empresas em  Inteligência Logística 
edivaldobassani@uol.com.br

Comentários

Comentários

Deixar uma resposta