Venezuela, em 5 anos, de grande parceiro comercial a inadimplente no comércio com o Brasil

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Da Redação

Brasília –  O caos econômico, político e social na Venezuela está levando o comércio entre o país caribenho e o Brasil ao mais baixo patamar de todos os tempos. Entre os meses de janeiro e outubro o intercâmbio bilateral registrou o menor volume desde que a série histórica passou a ser divulgada pelo governo brasileiro. No período, as exportações brasileiras foram de pouco mais de US$ 387 milhões e despencaram 60,32% em comparação com igual período de 2016.

As vendas venezuelanas caíram bem menos (apenas 7,74%) e ficaram em torno de US$ 327 milhões. Nos dez meses, a corrente de comércio (exportações+importações) foi de pouco mais de US$ 715 milhões e as trocas geraram um saldo de US$ 60 milhões para o Brasil. O menor saldo desde que a série histórica começou a ser divulgada pelo governo brasileiro.

Em 2012, Brasil e Venezuela viveram o melhor ano de seu comércio bilateral e naquela ano as trocas entre os dois países somaram US$ 6,053 bilhões (exportações brasileiras de US$ 5,056 bilhões e embarques venezuelanos no total de US$ 997 milhões) e a partir dali as trocas entre os dois países só fizeram cair.

Os números de 2017 são os piores dos últimos doze anos e não param de piorar. Em outubro, por exemplo, o Brasil exportou pouco mais de US$ 24 milhões para aquele que foi há poucos anos um dos grandes parceiros comerciais e fonte de superávit para o país. A queda foi da ordem de 34,64%. Queda ainda maior foi registrada nas exportações da Venezuela, que desabaram 67,33% para pouco mais de US$ 9,8 milhões. No mesmo mês de 2012, as exportações foram respectivamente de USS 524 milhões e US$ 64 milhões, gerando um saldo de US$ 460 milhões para o Brasil.

Mas o que está ruim pode piorar. E é o que deverá acontecer depois que o governo brasileiro passou a classificar como default o atraso de mais de dois meses no pagamento pela Venezuela de US$ 262,5 milhões a fornecedores brasileiros no âmbito do Convênio de Pagamentos de Créditos Recíprocos (CCR).

O mecanismo funciona como uma espécie de câmara de compensação em que os bancos centrais de treze países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) atuam como garantidores das operações de comércio exterior.

Semana passada, o Ministério da Fazenda encaminhou à Embaixada da Venezuela correspondência em que aborda o tema do atraso e comunica que levará o tema ao Clube de Paris, considerado o principal fórum de reestruturação de dívidas de países com outros governos. Em outras palavra, ao fazerem esse comunicado oficial aos venezuelanos, as autoridades brasileiras deixaram claro que consideram estar levando um calote da Venezuela. Nada pior que um calote para acabar com o pouco que ainda existe em matéria de comércio entre os dois países.

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