Vinhos do Alentejo lançam certificação inédita de produção sustentável e revolucionam setor em Portugal

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São Paulo – A região do Alentejo, em Portugal, acaba de anunciar uma novidade: atribuição de certificados de produção sustentável, um selo inédito no setor, que será atribuído aos produtores que cumpram com requisitos de gestão de solos, água e rega, diminuição de produção de resíduos ou monitorização da fertilização, entre muitos outros critérios para uma prática de produção sustentável e de benefício ambiental.

Segundo dados da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), organismo de direito privado e utilidade pública que certifica, controla e protege os vinhos DOC e os vinhos Regional Alentejano, o Brasil ocupa o primeiríssimo lugar das exportações. Já, em termos de volume, o Brasil lidera o ranking das exportações (numa lista de 75 países), sendo Brasil o primeiro, seguido de Suíça, Angola, Estados Unidos e Polônia.

Representada no Brasil pela CVRA, há um grande trabalho de formações para profissionais e apoio com os importadores. O Alentejo é a maior região de vinhos de Portugal e a que mais vende, tanto dentro quanto fora do país.

 Melhores práticas na adega

 A produção de vinho tem um impacto bastante relevante no consumo de recursos, nomeadamente ao nível de água, energia e materiais, sendo absolutamente necessária uma monitoração do consumo desses recursos e uma otimização dos processos. Sendo assim, a conquista deste selo traz outras vantagens aos produtores que apostam numa viticultura mais sustentável.

Em primeiro lugar, a CVRA estima que este selo aumente as vendas dos Vinhos do Alentejo na ordem dos 5 a 10%. Algo importante, já que a maioria dos consumidores levam em consideração na hora da compra, se a marca em questão está relacionada a causas ambientais.

Em segundo lugar, a implementação de planos de monitorização de água e luz permite uma redução de custos de cerca de 20% e de 30%, respetivamente.

Esta certificação surge após cinco anos, desde a criação do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA), pioneiro em Portugal e revolucionário do setor, que conta já com 422 membros associados, representando mais de 40% da área de vinha do Alentejo. Recentemente, o PSVA foi distinguido com o título de Embaixador Europeu de Inovação Rural pelo projeto LIAISON, uma Parceria Europeia de Inovação para a Produtividade Agrícola e Sustentabilidade lançada em 2012, pela Comissão Europeia, que promove os melhores projetos europeus ao nível da inovação na agricultura e silvicultura em áreas rurais.

“Produções vitivinícolas mais sustentáveis do ponto de vista ambiental, através da redução do uso de pesticidas, do gasto de água e eletricidade ou da proteção da biodiversidade são, sem dúvida, produções mais viáveis economicamente, uma vez que tornam todo o processo, desde a uva até à garrafa mais eficaz e eficiente”, explica João Barroso, coordenador do PSVA.

Boas práticas

O PSVA promove no campo, a boa gestão dos solos, a utilização de organismos auxiliares, a preservação dos ecossistemas, a conservação e restauro das linhas de água, ou recurso ao modo de produção integrada e modo de produção biológica. Na adega, a eficiência energética e o uso racional da de água são prioritários, mas também o é a redução na produção de resíduos.

Vinhos do Alentejo lançam certificação inédita de produção sustentável e revolucionam setor em Portugal
Francisco Mateus, presidente da CVRA/Foto: Divulgação

A reciclagem e desmaterialização de processos, bem como o uso de produtos mais verdes, como o uso de rolhas, barricas e outros materiais de florestas certificadas, são igualmente incentivados. “Ao longo dos últimos anos, tem-se verificado uma maior sensibilização e atuação por parte dos produtores alentejanos em relação à gestão de água, eficiência energética e à importância da conservação da biodiversidade, mas, com esta certificação, será possível dar o salto para uma produção ainda mais amiga do ambiente e que, sendo pioneira, destaca o espírito de inovação do Alentejo no mercado interno, mas, também, internacionalmente”, explica Francisco Mateus, presidente da CVRA.

(*) Com informações da CVRA

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