Webinar da Britcham ressalta força, números impressionantes do agronegócio brasileiro e salto dos maquinários na era digital

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São Paulo – Responsável por mais de 27% do PIB brasileiro, o agronegócio é também uma das atividades que mais se destacam na relação do Brasil com o exterior, somando US$ 79,32 bilhões em exportações no primeiro semestre de 2022.

Por conta de toda essa força, a Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham) organizou um webinar com dois grandes nomes do setor, Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos (CSMIA) da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) e José Luis Gonçalves, presidente da JCB América Latina.

Estevão iniciou a apresentação lembrando que à medida em que a população mundial cresce, a demanda por alimentos também aumenta. Assim, o agronegócio brasileiro se vê às voltas com a necessidade de produzir mais insumos para exportação – e portanto, os maquinários agrícolas também têm de se adaptar e evoluir.

Os números do setor não escondem a toada de crescimento do agronegócio brasileiro: a projeção de entidades do setor é que a safra 2022/2023 atinja 322 milhões de toneladas de grãos – um salto de 457% em relação aos números medidos há 32 anos.

A soja é o grande carro-chefe do setor: em 2022, a demanda pelo alimento cresceu 4,1% em relação a 2021. ‘’Muito desse aumento deve-se pelo crescimento da população asiática’’, explicou Estevão. O milho é o segundo colocado no ranking de produção do agronegócio. Em 2000, foram produzidas 5,6 milhões de toneladas do alimento. Já em 2023, a projeção da ABIMAQ é que sejam colhidas 48 milhões de toneladas.

O representante da Associação reforçou que o agronegócio brasileiro deve se preparar para crescer muito mais em anos, uma vez que a expectativa é que em 2032 sejam produzidas 367 milhões de toneladas de grãos no Brasil. “A Ásia e a África precisam de nossos alimentos e devemos nos preparar para isso”, disse.

As máquinas do agronegócio brasileiro evoluem cada vez mais para acompanhar esse ritmo – e se tornam cada vez mais digitais e inteligentes. ‘’Por exemplo, um pulverizador moderno, conectado à internet, carrega 12 computadores, 1.000 MB de dados, 53 sensores, 8.000 metros de fios, 300.000 linhas de programação, 440 conectores e é capaz de gerar 300 informações em apenas 5 segundos’’, detalhou Estevão. Um número que corrobora a força das máquinas do agronegócio brasileiro vem da CSMIA (Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas): o segmento faturou impressionantes R$ 94 bilhões em 2022.

Os números da balança comercial do agro impressionam igualmente: em 2022, foram exportados US$ 151 bilhões em alimentos e importados US$ 17 bilhões, o que configurou um superávit de US$ 134 bilhões. “O Brasil é o maior exportador líquido global do agronegócio, de longe. Por isso, precisamos ter lugar e voz nos fóruns mundiais do setor”, explicou.

Na segunda parte do webinar, José Luis Gonçalves iniciou sua apresentação afirmando que em 25 anos, a produção do agronegócio brasileiro cresceu seis vezes, contra duas vezes de área plantada, que atualmente soma 74,9 milhões de hectares. “Isso mostra a capacidade brasileira no agronegócio”, afirmou. “Hoje, temos a possibilidade de crescer nossa área plantada até chegarmos a 150 milhões de hectares, sem desmatamento e não atacando nossas reservas”, frisou o executivo.

Para ele, “a mecanização da lavoura é algo impressionante e a revolução na agricultura é total. A tecnologia mais avançada hoje, permite que o agricultor saiba como está a cobertura do solo em termos de plantio e o aproveitamento de sementes por metro quadrado, para maximizar sacas por hectares”.

A indústria das máquinas do agronegócio também só cresce: em 2022 serão comprados aproximadamente 58 mil tratores, 8 mil colheitadeiras e 10 mil máquinas amarelas. “Somos hoje, o quarto maior produtor de grãos do mundo e em dois ou três anos devemos ultrapassar a Índia. Creio que em 15 anos teremos as condições de sermos os maiores produtores de alimentos do planeta, se investirmos mais em outros pontos como escoamento e infraestrutura como estradas, portos, aerovias e outros”, concluiu Gonçalves.

(*) Com informações da Britcham

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